segunda-feira, 17 de julho de 2017

Distopia



 
Distopia

Eu conheço os passos da dança,
mas piso no teu pé de propósito.
Eu conheço as regras do jogo,
mas adoro a infração a que me proponho
todas as manhãs.

Eu reconheço o seu xeque-mate,
mas viro o tabuleiro,
confundo todas as peças,
e ferro com tua cabeça,
só para sorrir à noite.

Eu conheço todas as lágrimas,
mas as escondo num vidro
com tampa fechada à vácuo,
e o pote só se quebra nas madrugadas,
onde eu não reconheço mais nada.

Lilly Araújo - 17/07/17

quarta-feira, 26 de abril de 2017

A cor do mundo


A cor do mundo

Depois do primeiro gole tudo muda,
depois da primeira taça
aparece travestida de graça
o amor peralta que se esconde feito criança.

Depois da primeira taça,
vem a canção,
esquecida há muito,
sufocada pelo cotidiano.

Depois de meia garrafa,
cai o pano,
a peça de roupa, as máscaras
caem todas as mágoas.

O som aumenta,
começa a dança...

Depois de tudo, o mundo
não é mais cinza,
é vinho!

Lilly Araújo
22/02/17 13:10h

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Apatia



 
Apatia

Hoje ninguém me tirará de dentro de mim.
Quero o aconchego do toque do cetim,
o abraço soturno das penas da graúna,
e o silêncio gélido da criatura noturna.

Amanhã não sei mais se será assim como outrora,
ou se os sonhos se desvanecerão na aurora,
por hora, isso é tudo que quero estar: - perdida no breu;
no dentro; no fundo; no impenetrável do eu.

Hoje eu quero me resfolegar no vinho tinto,
despedaçar sem piedade a minha taça,
e deglutir o paladar do absinto.

Amanhã talvez nasça outro desejo proibido,
e se me vêm outros ares de graça,
eu finjo que sou uma criança a brincar na praça.

Lilly Araújo
24/04/17

domingo, 23 de abril de 2017

Eutanásia




Eutanásia

Resolveu dar cabo da vida,
entrou para um quarto e
tomou uma dose letal de poesia.

Lilly Araújo-23/04/2017

domingo, 16 de abril de 2017

Descalcificada!



 
Descalcificada!

Juntas tortas,
artérias corrompidas
pela inexatidão dos pulsos.
O mundo gira,
e na vertigem de descaminhos
me vomita em pequenas porções de
coisa alguma, ou quase nada.

Lilly Araújo- 16/04/17

domingo, 5 de março de 2017

Meu charuto

 
Meu charuto


Meu charuto mudo
me escuta atento a cada trago,
mas é ele quem me absorve
em minhas confissões desatinadas,
e nunca diz nada.


Meu charuto saborizado,
com gosto de chocolate,
me diz que a vida
não tem esse mesmo gosto,
a vida, meu amigo, bate.

E ele, resignado como eu,
aceita ser consumido
pela ponteira vermelha
da chama que o queima,
e o mata, e o dilacera.

Ele aceita o seu destino
de ser o que é.

Meu charuto mudo,
se sabe. Se aceita.
Já eu, verborrágica que sou,
vou tagarelando dúvidas
e palavras estúpidas
que ouso chamar de poesia,
e são apenas rabiscos que falam,
nem de tristeza, nem de alegria.

Lilly Araújo 11:45
04/03/17

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Das tormentas da vida

 
Das tormentas da vida


O vento me chegou tormenta,
levantou-me dos chão
com suas asas violentas,
depois de algum tempo
pousou-me em águas azuis.
Água e vento e são me coisas essenciais
para apaziguar minhas dores,
mas o tempo, este é tudo!

Lilly Araújo 21/12/17
10:00h

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Imperativo





















Em meio a tantas frases imperativas que eu quis gritar, sussurrei-te apenas essa:
- Entranha-me!

》 Lilly Araújo-02-02/17
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