domingo, 23 de abril de 2017

Eutanásia




Eutanásia

Resolveu dar cabo da vida,
entrou para um quarto e
tomou uma dose letal de poesia.

Lilly Araújo-23/04/2017

domingo, 16 de abril de 2017

Descalcificada!



 
Descalcificada!

Juntas tortas,
artérias corrompidas
pela inexatidão dos pulsos.
O mundo gira,
e na vertigem de descaminhos
me vomita em pequenas porções de
coisa alguma, ou quase nada.

Lilly Araújo- 16/04/17

domingo, 5 de março de 2017

Meu charuto

 
Meu charuto


Meu charuto mudo
me escuta atento a cada trago,
mas é ele quem me absorve
em minhas confissões desatinadas,
e nunca diz nada.


Meu charuto saborizado,
com gosto de chocolate,
me diz que a vida
não tem esse mesmo gosto,
a vida, meu amigo, bate.

E ele, resignado como eu,
aceita ser consumido
pela ponteira vermelha
da chama que o queima,
e o mata, e o dilacera.

Ele aceita o seu destino
de ser o que é.

Meu charuto mudo,
se sabe. Se aceita.
Já eu, verborrágica que sou,
vou tagarelando dúvidas
e palavras estúpidas
que ouso chamar de poesia,
e são apenas rabiscos que falam,
nem de tristeza, nem de alegria.

Lilly Araújo 11:45
04/03/17

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Das tormentas da vida

 
Das tormentas da vida


O vento me chegou tormenta,
levantou-me dos chão
com suas asas violentas,
depois de algum tempo
pousou-me em águas azuis.
Água e vento e são me coisas essenciais
para apaziguar minhas dores,
mas o tempo, este é tudo!

Lilly Araújo 21/12/17
10:00h

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Imperativo

Em meio a tantas frases imperativas que eu quis gritar, sussurrei-te apenas essa:
- Entranha-me!

》 Lilly Araújo-02-02/17

domingo, 13 de novembro de 2016

Apenas um easy rider à procura dele mesmo



 Ele ama motocicletas. Ama dominar os cavalos de aço à procura de seus eus fragmentados pelas estradas. Não importa a distância: ao menor indício de pedaços que lhe faltam ele vai lá e confere. Às vezes se engana, mas na maior parte das tentativas encontra o que procura. A liberdade de ser e estar com quem, quando e como quiser (isso ele nunca esconde ) o faz um homem feliz. Tem medo de aranhas, cachorros e questionamentos. Ama gatos.

Acelerou 2400 km das terras frias do sul ao planalto central da Terra de Santa Cruz. Já tinha andado sob os céus do entorno de Brasília anos antes, respondendo a um chamado telepático cigano , mas desta vez ia buscar mais um pedacinho seu que estava pronto para encontrar. Entre aviões de guerra, motoclubes e arroz com pequi aquele motociclista que se recusa a ouvir a razão ( e tem dado certo há 52 anos... ) se deixou levar pela ventania causada pelos poemas , suor, endorfina e adrenalina daquela bela mulher que era ele . Se entregou sem medidas. Ela viu o mar (da praia e dos olhos dele), e viu que era bom. Ele voltou para casa mais completo, com as marcas do destino tatuadas no coração. 7.919 km depois, a história continua? Ele não sabe, ela não sabe.

“... o amor é um filme, e Deus expectador...” (Lirinha, Cordel do Fogo Encantado ).


Balneário Arroio do Silva, 11/2016.

 
 
 
 



  
 
 

 
  
 
 
 

  

 



segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Primeira vez na tua língua


Primeira vez na tua língua

O mar me lambeu hoje
com a intrepidez daquele que sabe o que quer,
e o discernimento de oferecer
o que mais deseja uma mulher.

Lambeu-me entre as pernas,
num súbito atrevimento desejado,
mas não antes de olhos nos olhos
e um beijo profundo,
e promessas de um hoje terno e absurdo.

O mar lambeu-me entre as pernas,
e eu gozei ostras sem pérolas,
porque agora não havia sofrimento.
Não nesse exato momento.

Lilly Araújo
Arroio do Silva- 04-11-16


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